
A fenomenologia, afirmara Levinas, é a intencionalidade. Ela é o núcleo conceitual de uma obra (no caso, a de Husserl) que prolongou e renovou, a uma só vez, o modo de pensar do Ocidente. Se por um lado o conceito de intencionalidade expressa a continuidade de um universo cultural que primou pela obra do saber como identificação, objetivação e afirmação do mesmo diante de tudo o que é outro, tal conceito, paradoxalmente, é sinônimo de abertura, de consciência capaz de significar mais do que intenciona. Numa palavra: a intencionalidade rompe com a representação (determinação do outro pelo mesmo), atingindo uma exterioridade resistente a toda apropriação. Assim, antes de ser o emblema de um modo de pensar que nega ou abandona os recursos do método fenomenológico, o rosto inaugura uma espécie de renovação da fenomenologia, que desde então estará atenta a uma invisibilidade capaz de fecundá-la, fornecendo as bases de um tratamento inteiramente novo a temas de sua predileção: sensibilidade, corporeidade, alteridade, tempo, morte, fecundidade, linguagem, objetivação, entre tantos outros. Trata-se de pensar em que medida a interpelação ética trazida pelo rosto questiona, condiciona e renova, a uma só vez, a fenomenologia. No que se refere à renovação, ela se fará sentir em interlocutores renomados de Levinas (Jean-Luc Marion nos parece um exemplo fecundo dessa possibilidade). Renovação que o livro de Adriano André Maslowski soube defender com entusiasmo e rigor filosófico, somados a uma notável sensibilidade ética e humana.
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
1 LEVINAS: FENOMENOLOGIA E ONTOLOGIA
1.1 Husserl e a fenomenologia
1.2 Levinas e a importância da intencionalidade
1.3 Levinas e a ontologia fundamental de Heidegger
1.4 Levinas e a crítica à ontologia de Heidegger
1.5 O método fenomenológico de Levinas
2 DESCIDA ORIGINÁRIA COMO CRÍTICA À FENOMENOLOGIA
2.1 Representação e pensamento
2.2 Da consciência intencional à fruição
2.3 Interioridade e a economia do ser
2.4 O Ser, o Mesmo e o Outro
2.5 O infinito como crítica à totalidade
3 FENOMENOLOGIA DO ROSTO
3.1 Intencionalidade e exterioridade
3.2 O rosto como ruptura da totalidade
3.3 Rosto e infinito
3.4 Epifania do rosto e ética
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS